A Raça Nelore

O Sucesso do Nelore no Brasil

Nelore um Caso de Sucesso

A história da raça Nelore em terras brasileiras é um grande caso de sucesso. Sem apelo à paixão ou modismo, os números refletem o acontecido e dispensam maiores comentários.

Os primeiros zebuínos importados datam de 1888 e a última importação oficial no século XX em 1962. Recentemente, já no século XXI, houve um grande esforço de criadores brasileiros para trazerem mais um pouco de material genético indiano para o Brasil. O fato é que até o momento foram contabilizados oficialmente apenas 6300 zebuínos importados, e a grande maioria não era Nelore, contrapondo mais de 1 milhão de taurinos.

Atualmente, o Brasil conta com o segundo maior rebanho bovino do mundo, com um efetivo de aproximadamente 194 milhões de cabeças, nas quais 80% têm maior percentual de sangue/genes zebuínos e, ainda destes, cerca de 154 milhões de cabeças têm uma influência mais significativa da raça Nelore.

Mas como isso aconteceu?

Os zebuínos vindos do continente asiático se adaptaram muito bem no ambiente brasileiro, e adaptabilidade está diretamente ligado a eficiência reprodutiva. Tal situação fez com houvesse uma verdadeira ocupação genética, principalmente favorável à raça Nelore. A chegada das braquiárias na década de 1970 potencializou essa expansão, e o binômio braquiária/nelore apresentou tamanho desempenho zootécnico que hoje a raça domina as pastagens das regiões Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste do país.

A grande heroína dessa hegemonia:

A facilidade de manejar rebanhos da raça nelore se deve pela funcionalidade das fêmeas; as vacas conseguem parir um bezerro de tamanho moderado* ao ano, que recebem cuidados de mães zelosas, que limpam seus produtos, liberando as vias aéreas e estimulando a circulação. Os bezerros são vigorosos e logo partem para a primeira mamada facilitada por tetas de tamanho adequado; a vaca nelore não possui úbere exagerado nem tão pouco pendular, assim não fere o aparelho mamário nas pastagens, o que pode ser mais uma característica adaptativa, fazendo com que as crias dêem mais mamadas ao longo do dia, diminuindo a incidência de diarréias.

Outro ponto a favor da raça é a alta tolerância a parasitas, além da pele e mucosas pretas, ricas em melanina, e a pelagem branca refletindo o calor proveniente dos raios ultra-violeta. O cupim serve de reserva de energia armazenada sob forma de gordura, a barbela funciona como um radiador, aumentando a superfície corporal e facilitando a troca de calor com o meio; os zebuínos possuem ainda um maior número de glândulas sudoríparas, que é outro mecanismo de termo-regulação corporal, evitando que os animais entrem em estresse térmico – desastroso para funcionalidade reprodutiva.

Toda essa adaptação reflete em fertilidade e facilidade de manejo, o que naturalmente fez com que a raça Nelore dominasse as pastagens brasileiras.

Todas essas boas características da raça Nelore podem ser potencializadas pela seleção, e hoje temos ferramentas de mensuração que vão muito além do ainda indispensável olho humano. Indicadores de qualidade genética tais como provas de desempenho fenotípico funcional, DEPs e marcadores moleculares podem potencializar os ganhos em produtividade a velocidades inimagináveis há dez anos atrás. Porém essas ferramentas necessitam de uma boa interpretação.

Existe um grande compromisso dos criadores com o país e com o mundo no sentido de produzir proteína animal de forma responsável e com sustentabilidade. A incrível genética do gado branco vinda da Índia é e será nossa grande aliada num país que possui praticamente uma cabeça de gado por habitante e condições ambientais muito favoráveis para assumir tal papel.

A variedade Nelore Mocho surgiu no criatório do Sr. Ovidio de Brito na segunda metade da década de 1950 e difundiu-se por todo o Brasil devido a sua precocidade, docilidade no manejo e acabamento de carcaça precoce.

* importante que os bezerros não nasçam nem exageradamente pequenos, muito menos exagerados de tamanho, que além de poder causar distorcia nos partos, via de regra são bezerros moles.

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